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Boris Karloff (The Comedy of Terror)

Posted at 3:26pm
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Defuntos e almas do outro mundo
São curiosíssimas as superstições populares com relação aos defuntos e almas do outro mundo. O cadáver coloca-se de pés para a rua, e na sua condução para a sepultura vai de pés para a frente, salvo o dos padres, que têm compostura oposta, em virtude de preceitos eclesiásticos. Se o corpo fica mole, é prenúncio certo de vir a alma do morto buscar proximamente alguém da família, e o mesmo ocorre quando fica de olhos abertos; e para evitar isso alguém os deve fechar, recitando a conhecida fórmula: “Fulano, fecha os olhos para o mundo e abre-os para Deus”. Quando um cadáver é dado à sepultura, envolvido, não se tira a agulha que coseu a fazenda; e para não se ter medo do defunto e não assombrar a gente de casa, beija-se-lhe a sola do sapato. Ao passar de um féretro, todos se descobrem respeitosamente, e pedem a Deus que lhe dê o céu. As pessoas que conduzem um cadáver ao sair de casa para a sepultura devem também tomá-lo à entrada do cemitério. Dedo ou mão de anjinho pagão e um pedaço de corda de enforcado dão felicidades a quem os possui. Quando morremos, o espírito se evola imediatamente, mas não vai para o seu destino, o céu ou o inferno, segundo as suas obras praticadas neste mundo; e, enquanto o cadáver não baixa à sepultura, permanece junto ao mesmo. Os nossos índios, porém, acreditavam que o espírito só se apartava do corpo depois do seu completo estado de decomposição; e enquanto não ia para a lua, lugar destinado à sua morada e descanso eterno, percorria as florestas, assistia às suas conversas, às suas danças, e era testemunha, enfim, de todas as suas ações. Para outras tribos, apesar de originárias todas de um mesmo tronco, o tupi, — a vida remuneradora dos justos era passada em localidades encantadoras, que se afiguravam no reverso das montanhas azuis, a serra Geral que percorre a vasta extensão da costa austral do Brasil, e cujas montanhas viam a uma certa distância; mas os espíritos infiéis, pusilânimes eram proscritos dessa mansão, como anatematizados e votados a misérias e privações, erravam por desertos estéreis e se acolhiam aos covis das feras. Segundo a crendice popular, para verificar-se o destino final dos espíritos, é preciso um julgamento prévio. O espírito, apenas desprendido da matéria, comparece perante o arcanjo São Miguel, e tomando ele a sua balança, coloca em uma concha as obras boas e na outra as obras más, e profere o seu julgamento em face da superioridade do peso de umas sobre as outras. Quando absolutamente não se nota o concurso de obras más, o espírito vai imediatamente para o céu; quando são elas insignificantes, vai purificar-se no purgatório; e quando não tem em seu favor uma só obra boa sequer, vai irreversivelmente para o inferno, donde só sairá quando se der o julgamento final, no dia de juízo, seguindo-se então a ressurreição da carne. À morte dos justos e bons, que atravessaram a sua passagem por esse mundo sem pecados, assiste um anjo, invisivelmente, empunhando uma espada flamejante para os defender de satanás, que, ainda mesmo nesse extremo momento da vida, comparece junto ao leito para arrebatar-lhes a alma; e São Pedro, na sua qualidade de porteiro do céu, espera-os nos seus umbrais para dar-lhes ingresso no paraíso. O recém-nascido que não foi amamentado e morre batizado, não participando, portanto, de coisa alguma deste mundo, é um serafim, anjo da primeira jerarquia celestial, e vai imediatamente para as suas regiões ocupar um lugar entre os seus iguais; o que recebeu amamentação e as águas do batismo é simplesmente um anjo, porém antes de entrar no céu passa pelo purgatório para purificar-se dos vestígios da sua efêmera passagem pela terra, expelindo o leite com que se amamentou; e o que morre pagão fica eternamente privado da luz e glórias celestiais, e vai habitar as sombrias regiões do limbo. A mulher casada que não teve filhos, quando morre vai vender azeite às portas do inferno, para alimentar o fogo eterno a que são condenados os maus e os perversos, que morreram fora da graça de Deus. O cadáver dos indivíduos que morrem excomungados pela igreja, fica completamente ressequido, como uma condenação da terra contra os seus pecados, e não consome o nariz dos que têm por hábito cheirar a comida; aos dos parricidas mirra-se-lhe o braço cuja mão praticou o crime; e o dos meninos que dão pancadas nas mães, fica com o braço inteiriçado. A terra não consome o cadáver dos santos e bem-aventurados; conserva intactos os seus corpos, e deles desprende-se um aroma suave e agradabilíssimo, que transporta a místicos pensamentos; e picando-se os mesmos, deitam sangue. Do corpo de Santo Antônio, a terra consumiu tudo menos a língua. Sobre este particular prodígio, referem as Memórias do Cabido de Olinda, que, trasladando-se para um carneiro de mármore o corpo do bispo dom Matias de Figueiredo e Melo, falecido em 1694, encontrou-se sem corrupção alguma, deitando sangue um dedo casualmente ferido quando se abriu a sua primitiva sepultura; e a quem ainda hoje visita a velha, mas belíssima catedral olindense, indica-se-lhe em respeito o sepulcro do bispo santo, como o consagra a veneração popular e o diz o epitáfio inscrito sobre o monumento. Frei Francisco de Assunção, religioso franciscano do convento de Serinhaém, falecido em 1710, foi um homem de santa vida. Pelas suas grandes virtudes, predisse com precisão o dia da sua morte, e no seu cadáver observou-se admirável prodígio — “porque, como refere Jaboatão, ficou tratável e brando, dando estalos os dedos, se os moviam, parecendo estar vivo e sem os comuns efeitos da corrução”. Os homens santos caminham suspensos do solo, em altura conveniente, e os seus passos são tão firmes e seguros como se andassem sobre a própria terra. Desses fatos estão cheias as nossas legendas religiosas, e o povo os repete com uma inabalável firmeza de crença. O nosso cronista Jaboatão, escrevendo detalhadamente a vida de frei Cosme de São Damião, notável franciscano do convento de Olinda, onde professou em 1597, refere que, sendo ele empregado em sua mocidade, antes de abraçar a vida religiosa, no Engenho Velho, do Cabo; e entrando em uma ocasião na casa de purgar, o seu proprietário, o velho fidalgo João Paes Barreto, para falar ao moço Cosme, o foi achar a um canto, posto de joelhos sobre as tábuas dos andaimes em que assentam as fôrmas de açúcar, em oração, e não só todo absorto nela, mas levantando no ar bastantemente”. O mesmo escritor, referindo-se ao falecimento de frei Cosme, ocorrido na Bahia em 1659, consigna um documento firmado pelos doutores em medicina Antônio Rodrigues e Francisco Vaz Cabral, os quais, em termos de fé e juramento aos Santos Evangelhos, declaram que “estando para ser dado à sepultura o corpo do dito padre, e tocando-lhe o nariz, boca, orelhas, cabelos e os emunctórios do seu corpo, não acharam sinal algum de mau cheiro, ou corrução, o que julgavam ser coisa mais que natural, em razão de serem passadas mais de vinte e sete horas depois que faleceu, e ser tempo de maior calor (novembro), sendo acessório a esse acidente, o que faziam as muitas luzes e grande tumulto de gente, de que sempre o corpo esteve cercado…” Nos nossos dias, quando se trata do virtuoso padre Arsênio Vuillemain, natural da França, pertencente à Congregação da Missão, fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo, e falecido nesta capital no dia 3 de junho de 1899, com 64 anos de idade, refere-se que, por várias vezes, fora visto ele caminhar suspenso, e assim estar em suas orações. Sobre esse prodígio observado no padre Vuillemain, particularizamos o seguinte fato, que nos referiu uma respeitável pessoa, assegurando-nos a sua notoriedade: “Caminhava ele apressadamente, como costumava, por certa rua desta capital, quando ao aproximar-se de uma casa, grita para dentro uma criança que estava à janela: — Venham ver um padre andando suspenso. Vuillemain dirige-se logo para a criança, e com um sorriso angélico e bondoso bate-lhe carinhosamente nos lábios com a mão dizendo-lhe: — Cala a boca, minha filha, — e prossegue no seu caminho. A criança, porém, nédia, viva e de perfeita saúde, adoece imediatamente, sem causa conhecida, e falece dentro de poucos dias. Era um anjinho predestinado e tocado da graça divina; o seu lugar não era na terra: foi para o céu.” No lugar de uma estrada em que se pratica um homicídio, coloca-se uma cruz, perante a qual pairam os viandantes respeitosamente, descobrem-se e rezam em intenção do morto; e depois, colhem um ramo verde e deitam-no aos pés da cruz. As almas do outro mundo aparecem, e falam mesmo, mas com voz estranha, anasalada, horrível, crença esta que é geral entre todos os povos, cultos ou não, e que entre nós mesmos remonta-se aos próprios indígenas, que apesar do estado de barbaria em que viviam tinham uma vaga noção do ente supremo, a que chamavam Tupã, criam em gênios bons e maus, e supersticiosos como eram, acreditavam em almas penadas ou pecadoras, a que na língua geral, ou tupi, dava-se o nome angatecô, e às almas do outro mundo o de angoeira. Firme o povo nessa crença, implantada desde a sua infância, e mantida por uma corrente de indestrutível tradição, é passivamente arrastado a crer em todas essas fantasmagorias; e revelam-se mesmo fatos extraordinários, narrados e afirmados com uma inabalável convicção, o quais apavoram aos tímidos e enchem as crianças, principalmente, de terror tal, que adormecem amedrontadas vendo ao vivo, em sua imaginação frágil, as horripilantes cenas dos fatos descritos nas íntimas palestras de família.
________________________________________________________ Fonte: Costa, F. A. Pereira da. Folclore pernambucano; subsídios para a história da poesia popular em Pernambuco. Recife, Arquivo Público Estadual, 1974, p.97-101

Defuntos e almas do outro mundo

São curiosíssimas as superstições populares com relação aos defuntos e almas do outro mundo. O cadáver coloca-se de pés para a rua, e na sua condução para a sepultura vai de pés para a frente, salvo o dos padres, que têm compostura oposta, em virtude de preceitos eclesiásticos.

Se o corpo fica mole, é prenúncio certo de vir a alma do morto buscar proximamente alguém da família, e o mesmo ocorre quando fica de olhos abertos; e para evitar isso alguém os deve fechar, recitando a conhecida fórmula: “Fulano, fecha os olhos para o mundo e abre-os para Deus”.

Quando um cadáver é dado à sepultura, envolvido, não se tira a agulha que coseu a fazenda; e para não se ter medo do defunto e não assombrar a gente de casa, beija-se-lhe a sola do sapato.

Ao passar de um féretro, todos se descobrem respeitosamente, e pedem a Deus que lhe dê o céu. As pessoas que conduzem um cadáver ao sair de casa para a sepultura devem também tomá-lo à entrada do cemitério.

Dedo ou mão de anjinho pagão e um pedaço de corda de enforcado dão felicidades a quem os possui.

Quando morremos, o espírito se evola imediatamente, mas não vai para o seu destino, o céu ou o inferno, segundo as suas obras praticadas neste mundo; e, enquanto o cadáver não baixa à sepultura, permanece junto ao mesmo. Os nossos índios, porém, acreditavam que o espírito só se apartava do corpo depois do seu completo estado de decomposição; e enquanto não ia para a lua, lugar destinado à sua morada e descanso eterno, percorria as florestas, assistia às suas conversas, às suas danças, e era testemunha, enfim, de todas as suas ações.

Para outras tribos, apesar de originárias todas de um mesmo tronco, o tupi, — a vida remuneradora dos justos era passada em localidades encantadoras, que se afiguravam no reverso das montanhas azuis, a serra Geral que percorre a vasta extensão da costa austral do Brasil, e cujas montanhas viam a uma certa distância; mas os espíritos infiéis, pusilânimes eram proscritos dessa mansão, como anatematizados e votados a misérias e privações, erravam por desertos estéreis e se acolhiam aos covis das feras.

Segundo a crendice popular, para verificar-se o destino final dos espíritos, é preciso um julgamento prévio.

O espírito, apenas desprendido da matéria, comparece perante o arcanjo São Miguel, e tomando ele a sua balança, coloca em uma concha as obras boas e na outra as obras más, e profere o seu julgamento em face da superioridade do peso de umas sobre as outras.

Quando absolutamente não se nota o concurso de obras más, o espírito vai imediatamente para o céu; quando são elas insignificantes, vai purificar-se no purgatório; e quando não tem em seu favor uma só obra boa sequer, vai irreversivelmente para o inferno, donde só sairá quando se der o julgamento final, no dia de juízo, seguindo-se então a ressurreição da carne.

À morte dos justos e bons, que atravessaram a sua passagem por esse mundo sem pecados, assiste um anjo, invisivelmente, empunhando uma espada flamejante para os defender de satanás, que, ainda mesmo nesse extremo momento da vida, comparece junto ao leito para arrebatar-lhes a alma; e São Pedro, na sua qualidade de porteiro do céu, espera-os nos seus umbrais para dar-lhes ingresso no paraíso.

O recém-nascido que não foi amamentado e morre batizado, não participando, portanto, de coisa alguma deste mundo, é um serafim, anjo da primeira jerarquia celestial, e vai imediatamente para as suas regiões ocupar um lugar entre os seus iguais; o que recebeu amamentação e as águas do batismo é simplesmente um anjo, porém antes de entrar no céu passa pelo purgatório para purificar-se dos vestígios da sua efêmera passagem pela terra, expelindo o leite com que se amamentou; e o que morre pagão fica eternamente privado da luz e glórias celestiais, e vai habitar as sombrias regiões do limbo.

A mulher casada que não teve filhos, quando morre vai vender azeite às portas do inferno, para alimentar o fogo eterno a que são condenados os maus e os perversos, que morreram fora da graça de Deus.

O cadáver dos indivíduos que morrem excomungados pela igreja, fica completamente ressequido, como uma condenação da terra contra os seus pecados, e não consome o nariz dos que têm por hábito cheirar a comida; aos dos parricidas mirra-se-lhe o braço cuja mão praticou o crime; e o dos meninos que dão pancadas nas mães, fica com o braço inteiriçado.

A terra não consome o cadáver dos santos e bem-aventurados; conserva intactos os seus corpos, e deles desprende-se um aroma suave e agradabilíssimo, que transporta a místicos pensamentos; e picando-se os mesmos, deitam sangue. Do corpo de Santo Antônio, a terra consumiu tudo menos a língua.

Sobre este particular prodígio, referem as Memórias do Cabido de Olinda, que, trasladando-se para um carneiro de mármore o corpo do bispo dom Matias de Figueiredo e Melo, falecido em 1694, encontrou-se sem corrupção alguma, deitando sangue um dedo casualmente ferido quando se abriu a sua primitiva sepultura; e a quem ainda hoje visita a velha, mas belíssima catedral olindense, indica-se-lhe em respeito o sepulcro do bispo santo, como o consagra a veneração popular e o diz o epitáfio inscrito sobre o monumento.

Frei Francisco de Assunção, religioso franciscano do convento de Serinhaém, falecido em 1710, foi um homem de santa vida. Pelas suas grandes virtudes, predisse com precisão o dia da sua morte, e no seu cadáver observou-se admirável prodígio — “porque, como refere Jaboatão, ficou tratável e brando, dando estalos os dedos, se os moviam, parecendo estar vivo e sem os comuns efeitos da corrução”.

Os homens santos caminham suspensos do solo, em altura conveniente, e os seus passos são tão firmes e seguros como se andassem sobre a própria terra. Desses fatos estão cheias as nossas legendas religiosas, e o povo os repete com uma inabalável firmeza de crença.

O nosso cronista Jaboatão, escrevendo detalhadamente a vida de frei Cosme de São Damião, notável franciscano do convento de Olinda, onde professou em 1597, refere que, sendo ele empregado em sua mocidade, antes de abraçar a vida religiosa, no Engenho Velho, do Cabo; e entrando em uma ocasião na casa de purgar, o seu proprietário, o velho fidalgo João Paes Barreto, para falar ao moço Cosme, o foi achar a um canto, posto de joelhos sobre as tábuas dos andaimes em que assentam as fôrmas de açúcar, em oração, e não só todo absorto nela, mas levantando no ar bastantemente”.

O mesmo escritor, referindo-se ao falecimento de frei Cosme, ocorrido na Bahia em 1659, consigna um documento firmado pelos doutores em medicina Antônio Rodrigues e Francisco Vaz Cabral, os quais, em termos de fé e juramento aos Santos Evangelhos, declaram que “estando para ser dado à sepultura o corpo do dito padre, e tocando-lhe o nariz, boca, orelhas, cabelos e os emunctórios do seu corpo, não acharam sinal algum de mau cheiro, ou corrução, o que julgavam ser coisa mais que natural, em razão de serem passadas mais de vinte e sete horas depois que faleceu, e ser tempo de maior calor (novembro), sendo acessório a esse acidente, o que faziam as muitas luzes e grande tumulto de gente, de que sempre o corpo esteve cercado…”

Nos nossos dias, quando se trata do virtuoso padre Arsênio Vuillemain, natural da França, pertencente à Congregação da Missão, fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo, e falecido nesta capital no dia 3 de junho de 1899, com 64 anos de idade, refere-se que, por várias vezes, fora visto ele caminhar suspenso, e assim estar em suas orações.

Sobre esse prodígio observado no padre Vuillemain, particularizamos o seguinte fato, que nos referiu uma respeitável pessoa, assegurando-nos a sua notoriedade:

“Caminhava ele apressadamente, como costumava, por certa rua desta capital, quando ao aproximar-se de uma casa, grita para dentro uma criança que estava à janela: — Venham ver um padre andando suspenso. Vuillemain dirige-se logo para a criança, e com um sorriso angélico e bondoso bate-lhe carinhosamente nos lábios com a mão dizendo-lhe: — Cala a boca, minha filha, — e prossegue no seu caminho.

A criança, porém, nédia, viva e de perfeita saúde, adoece imediatamente, sem causa conhecida, e falece dentro de poucos dias. Era um anjinho predestinado e tocado da graça divina; o seu lugar não era na terra: foi para o céu.”

No lugar de uma estrada em que se pratica um homicídio, coloca-se uma cruz, perante a qual pairam os viandantes respeitosamente, descobrem-se e rezam em intenção do morto; e depois, colhem um ramo verde e deitam-no aos pés da cruz.

As almas do outro mundo aparecem, e falam mesmo, mas com voz estranha, anasalada, horrível, crença esta que é geral entre todos os povos, cultos ou não, e que entre nós mesmos remonta-se aos próprios indígenas, que apesar do estado de barbaria em que viviam tinham uma vaga noção do ente supremo, a que chamavam Tupã, criam em gênios bons e maus, e supersticiosos como eram, acreditavam em almas penadas ou pecadoras, a que na língua geral, ou tupi, dava-se o nome angatecô, e às almas do outro mundo o de angoeira.

Firme o povo nessa crença, implantada desde a sua infância, e mantida por uma corrente de indestrutível tradição, é passivamente arrastado a crer em todas essas fantasmagorias; e revelam-se mesmo fatos extraordinários, narrados e afirmados com uma inabalável convicção, o quais apavoram aos tímidos e enchem as crianças, principalmente, de terror tal, que adormecem amedrontadas vendo ao vivo, em sua imaginação frágil, as horripilantes cenas dos fatos descritos nas íntimas palestras de família.

________________________________________________________
Fonte: Costa, F. A. Pereira da. Folclore pernambucano; subsídios para a história da poesia popular em Pernambuco. Recife, Arquivo Público Estadual, 1974, p.97-101

Posted at 3:09pm
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O ladrão de carcaças
Considerado um dos fundadores da ciência da Anatomia humana, o belga André Vesálio (1514-1564) já nasceu próximo a cadáveres. Da casa de seus pais, na entrada da cidade de Bruxelas, enxergava-se o local onde criminosos executados tinham seus corpos pendurados para que as aves de rapina os devorassem até os ossos.Seu nome original, Andries van Wesel, foi posteriormente latinizado para Andreas Vesalius. Nasceu em Bruxelas, filho de um boticário. Brilhante aluno de Medicina, com apenas 23 anos Vesálio ocupou a cadeira de Cirurgia Anatômica da Universidade de Pádua, na Itália, a melhor escola médica da época. Seu grande mérito foi revelar o funcionamento do corpo humano a partir da dissecação de cadáveres, registrando em belos desenhos tudo o que descobria. Para tanto, aproveitava todas as oportunidades, legais ou ilegais, a fim de se abastecer de espécimes. “O meu desejo de possuir aqueles ossos era tão grande que, no meio da noite, sozinho e entre todos aqueles cadáveres, não hesitava em tirar o que desejava”, chegou a confessar.Em 1537 é nomeado professor da universidade italiana e dá aulas também em Pisa e Bolonha. Em 1544 torna-se médico particular de Carlos V e, em 1559, de Felipe II, ambos reis da Espanha. Publica em 1538, em Veneza, as Seis Pranchas Anatômicas, nas quais antecipa a moderna nomenclatura de anatomia. Sete Livros sobre a Estrutura do Corpo Humano, sua obra mais significativa e publicada em 1543, descreve os sistemas muscular e ósseo e contesta os ensinamentos dos médicos antigos.É condenado à morte pela Inquisição em 1561, por haver dissecado um corpo humano. Felipe II consegue comutar a pena para uma peregrinação a Jerusalém. Morre na volta, quando o navio em que viaja naufraga na ilha de Zante, na costa da Grécia.Fontes: Superinteressante; Algo Sobre.

O ladrão de carcaças

Considerado um dos fundadores da ciência da Anatomia humana, o belga André Vesálio (1514-1564) já nasceu próximo a cadáveres. Da casa de seus pais, na entrada da cidade de Bruxelas, enxergava-se o local onde criminosos executados tinham seus corpos pendurados para que as aves de rapina os devorassem até os ossos.

Seu nome original, Andries van Wesel, foi posteriormente latinizado para Andreas Vesalius. Nasceu em Bruxelas, filho de um boticário. Brilhante aluno de Medicina, com apenas 23 anos Vesálio ocupou a cadeira de Cirurgia Anatômica da Universidade de Pádua, na Itália, a melhor escola médica da época. 

Seu grande mérito foi revelar o funcionamento do corpo humano a partir da dissecação de cadáveres, registrando em belos desenhos tudo o que descobria. Para tanto, aproveitava todas as oportunidades, legais ou ilegais, a fim de se abastecer de espécimes. “O meu desejo de possuir aqueles ossos era tão grande que, no meio da noite, sozinho e entre todos aqueles cadáveres, não hesitava em tirar o que desejava”, chegou a confessar.

Em 1537 é nomeado professor da universidade italiana e dá aulas também em Pisa e Bolonha. Em 1544 torna-se médico particular de Carlos V e, em 1559, de Felipe II, ambos reis da Espanha. Publica em 1538, em Veneza, as Seis Pranchas Anatômicas, nas quais antecipa a moderna nomenclatura de anatomia. Sete Livros sobre a Estrutura do Corpo Humano, sua obra mais significativa e publicada em 1543, descreve os sistemas muscular e ósseo e contesta os ensinamentos dos médicos antigos.

É condenado à morte pela Inquisição em 1561, por haver dissecado um corpo humano. Felipe II consegue comutar a pena para uma peregrinação a Jerusalém. Morre na volta, quando o navio em que viaja naufraga na ilha de Zante, na costa da Grécia.

Fontes: Superinteressante; Algo Sobre.

Posted at 11:14am
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Salvo pelo gongo

Qual seria a origem da expressão “Salvo pelo Gongo”? Existem várias versões para explicar a origem dessa expressão de quando alguém consegue se livrar, no último instante, de alguma situação. 

A expressão parece ter sua origem na Inglaterra. Lá, antigamente, não havia espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados para o ossário e o túmulo era utilizado para outro infeliz.Só que, às vezes, ao abrir os caixões, os coveiros percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo. Assim, surgiu a idéia de, ao fechar os caixões, amarrar uma fita no pulso do defunto, que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada em um sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Desse modo, ele seria salvo pelo gongo.Antigamente, havia casos reais de pessoas que eram enterradas vivas de fato. Isto ocorria principalmente quando o “defunto” em questão sofria de “catalepsia”.A catalepsia é uma doença rara em que os membros e músculos se tornam rígidos e sem contrações, e a pessoas que sofrem desta doença podem passar horas nesta situação em um momento de crise. Até o começo do século 20, os médicos não contavam com meios precisos para distinguir uma crise de catalepsia com um óbito. Na Inglaterra dos séculos 18 e 19 existia um pânico generalizado na população de sofrer de catalepsia e ser enterrado vivo. Muitos fabricantes de caixões e túmulos haviam inventado uma série de artifícios para uma pessoa poder avisar dentro do caixão, que estava viva de fato.Atualmente, os especialistas afirmam que o risco de uma pessoa com catalepsia ser confundida com uma pessoa morta é zero, pois já existem equipamentos tecnológicos que, quando corretamente utilizados, não falham ao definir os sinais vitais e permitem atestar o óbito com precisão…Fontes: Gato Peleque; Edu Eplica.

Salvo pelo gongo

Qual seria a origem da expressão “Salvo pelo Gongo”? Existem várias versões para explicar a origem dessa expressão de quando alguém consegue se livrar, no último instante, de alguma situação. 

A expressão parece ter sua origem na Inglaterra. Lá, antigamente, não havia espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados para o ossário e o túmulo era utilizado para outro infeliz.

Só que, às vezes, ao abrir os caixões, os coveiros percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo. 

Assim, surgiu a idéia de, ao fechar os caixões, amarrar uma fita no pulso do defunto, que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada em um sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Desse modo, ele seria salvo pelo gongo.

Antigamente, havia casos reais de pessoas que eram enterradas vivas de fato. Isto ocorria principalmente quando o “defunto” em questão sofria de “catalepsia”.

A catalepsia é uma doença rara em que os membros e músculos se tornam rígidos e sem contrações, e a pessoas que sofrem desta doença podem passar horas nesta situação em um momento de crise. Até o começo do século 20, os médicos não contavam com meios precisos para distinguir uma crise de catalepsia com um óbito. 

Na Inglaterra dos séculos 18 e 19 existia um pânico generalizado na população de sofrer de catalepsia e ser enterrado vivo. Muitos fabricantes de caixões e túmulos haviam inventado uma série de artifícios para uma pessoa poder avisar dentro do caixão, que estava viva de fato.

Atualmente, os especialistas afirmam que o risco de uma pessoa com catalepsia ser confundida com uma pessoa morta é zero, pois já existem equipamentos tecnológicos que, quando corretamente utilizados, não falham ao definir os sinais vitais e permitem atestar o óbito com precisão…

Fontes: Gato Peleque; Edu Eplica.

Posted at 11:05am
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